DA INTERNET PARA AS RUAS: AS MUDANÇAS SOCIAIS AVANÇAM

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Ilustração da Revolta da Cabanagem

Imaginem o quanto foi difícil à inconfidência Mineira, revolução Farroupilha, revolta da Chibata e a Cabanagem sem as tecnologias de informação que existem hoje.  Ou então a passeata de 1968, Diretas Já e os Caras Pintados de 1992. Bem complicado, não é verdade? Mesmo assim, elas aconteceram e apesar de não terem atingido seu principal objetivo, foram importantes inseridos em seus contextos históricos e culturais.

E nos dias de hoje, com o advento da internet, será que os movimentos sociais são capazes de levar às pessoas as ruas, como no passado, em busca de seus direitos, ou ainda construindo discussões no âmbito da esfera pública necessária para uma nova configuração social? Alias, será que se fazem necessários protestos que “atrapalhem” as vias públicas em prol de determinadas pautas? Os protestos de 2013 provaram que sim.

Hoje, vivemos em uma nova configuração cultural, a cibercultura, no qual a nossa sociedade está cheia de aparatos tecnológicos e por meio deles desenvolvemos boa parte das nossas relações sociais. Isso permitiu que mais pessoas tivessem acesso à informação, e maior que isso, mais pessoas pudessem ter voz ativa perante o todo contexto sócio político que vivemos.

E os protestos de 2013 foram um levante dessa nova configuração. Pois, ele surgiu dessas redes telemáticas, foi para as ruas, durante as suas atividades, as pessoas puderam mostrar praticamente ao vivo (hoje, já é possível ser ao vivo, por meio das live´s das várias redes sociais) o que acontecia, frente ao embate do que os grandes veículos de comunicação divulgavam. E após os protestos pode-se dizer que houve impactos significativos em nossa socieade, tendo em vista as discussões que pautaram e estão presentes até os dias de hoje nas redes sociais.

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Aparatos tecnológicos mostram o que está presente nas manifestações na visão dos presentes. FOTO: Chagas Neto

Isso foi possível, pois a sociedade no qual estamos hoje, em que a técnica evoluiu bastante, o receptor teve a oportunidade de responder frente aos acontecimentos, postou nas redes sociais a sua opinião, viu que existiam outras pessoas que possuíam vieses semelhantes aos seus e teve a chance de se manifestar, vistas as suas insatisfações, gerando uma inteligência coletiva.

Esse aspecto possibilitou que através de Tag´s, ou compartilhamento, as opiniões convergentes passassem a se integrar formando grupos e nesse processo uma imprensa alternativa começou a se estabelecer, além do fortalecimento de páginas do facebook, a exemplo das esquerdistas Quebrando o Tabu e Midia Ninja, e a direitista Spotiniks. E assim, os diálogos e embates (afinal de contas, nem só de convergência vive o mundo) começaram a tomar força nas relações políticos culturais brasileiros.

Em 2014, as eleições no Brasil viveram um clima de instabilidade, causado pelo medo que a classe política começava a ter frente às relações sociais provocadas nas redes telemáticas e apesar de vários políticos se reelegerem, o país não era mais o mesmo.

É claro que frente a essas mudanças à mídia massiva começou a se adaptar, a essa, que já é chamada de mídia pós-massiva. E o que veio, por conseguinte foi uma espécie de “contracultura midiática”, onde os meios de comunicação de massa começaram a compreender os aspectos característicos desse movimento e utiliza-lo em seu favor, colaborando para os protestos ocorridos entre 2014 e 2015 que culminaram no golpe (ou impeachment, como alguns chamam) que afastou definitivamente a Presidenta Dilma Roussef.

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Diário de Canoas, 2015

Porém, mesmo com esse embate entre a mídia massiva e pós-massiva, visto por alguns autores como um modus operandi dessa nova configuração, é possível perceber que os movimentos sociais têm conseguido bastante ganhos com a evolução da técnica, como a ocupação das escolas e universidades em 2016, onde foi possível ver o que de fato ocorria-se nesses espaços, diferente do que fora propagado, e também, mais recentemente em 28 de abril de 2017, no qual houve uma greve geral em todo o Brasil, e mesmo a mídia se recusando a utilizar o termo “greve”, essa foi considerada a maior paralisação de trabalhadores já ocorrida, nos últimos 20 anos no Brasil.

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Greve Geral ocorrida no último dia 28/04/2017. FOTO: Chagas, Neto.

E nem só nas ruas, o ciberativismo também continua a contribuir bastante em meio a sua presença nas redes telemáticas, como por exemplo, o aumento de discussões referente ao racismo, feminismo e homofobia, que tem sido constante nas redes sociais, e que agora pautam as mídias tradicionais, como o programa da Rede Globo Amor & Sexo e também propagandas que eram tradicionalmente misóginas, a exemplo da Globeleza, e que mudou radicalmente em 2017.

Dessa forma, percebe-se como André Lemos explicita em seu texto publicado no livro “O Futuro da internet: em direção a ciberdemocracia planetária” que “Hoje, computadores e redes telemáticas transforma-se em máquinas de transformação, politizando a informação”.

PARA ENTENDER MELHOR:

O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária;

Jornada de Junho: Repercussões e Leituras:

A Internet e a Rua: Ciberativismo e mobilização nas redes sociais: 

Redes e ciberativismo: notas para uma analise do Centro de Midia Independente: 

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