A acessibilidade sob os olhos ativistas

A internet é para todos. mas será que ela é acessível a todos mesmo? Ou existe a necessidade de algum tipo de normalização para que ela cumpra o seu papel de integrar socialmente, as pessoas que possuem algum tipo de deficiência?

Vamos fazer alguns testes bem simples:

Teste 1

Preencha o formulário abaixo com os olhos vendados.

Teste 2

Assista o episódio 1, da Websérie “A Solteirona”, com o som desligado, e coloque a legenda em português (para fazer isso, ative primeiramente a legenda, depois entre nas configurações e coloque na língua portuguesa)

Então, o que você sentiu? a sua experiência foi completa, ou prejudicada?

Esses são apenas dois problemas que parte de 46 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência precisam enfrentar todos os dias, pois a sociedade, por aqui, ainda não caminhou o suficiente para se adequar as mais de 200 milhões de pessoas que vivem nesse país.

Porém muita coisa já mudou, antes e depois da Internet.

No Texto, “A Trajetória da Inclusão” presente no livro “Acessibilidade e Tecnologia”, os autores dissertam sobre a evolução da inclusão de pessoas com deficiência, que antes eram relegadas, consideradas inúteis. Entretanto, aos poucos esse quadro foi mudando, na época do Renascimento, inciam-se os primeiros tratamentos terapêuticos frente a deficiência.

Já no Brasil, os primeiros cuidados às pessoas com deficiência retomam à época do Império, porém houve um grande fracasso social para compreender essa condição de maneira institucionalizada, então na segunda metade do século XX foi necessário a criação de leis que integrassem essas pessoas, socialmente, de “maneira normal”.

Nos primeiros anos do século XXI houve uma evolução sobre essa questão, na medida a compreender que essa questão deve transcender o discurso moral e sim de respeito às diferenças, assim como devemos respeitar os negros, religiosos, homoafetividade, na medida que as politicas a serem criadas agora devem perpassar por esse viés.

 UMA MINORIA DE DIREITOS

Assim como negros, gays, mulheres, entre outros. Os deficientes são a minorias no que diz respeito à direitos, sofrem preconceitos e são marginalizados pela sua condição, sendo necessário uma mudança social para que eles possam serem inseridos socialmente.

Por exemplo, no vídeo acima, existem dificuldades de um surdo acompanhar toda a história mostrada, assim como, para um cego que não pague por um computador caro adaptado que terá dificuldades de acesso. Porém, algumas mudanças podem ser feitas, como no vídeo abaixo que é apresentada uma receita, onde um surdo pode acompanhar tanto pela legenda, como na língua de sinais.

 

Nesse processo os movimentos sociais também são extremamente relevantes, a exemplo do Movimento Vida Independente, que foi criado na década de 1980, e desde aquele período defende os seguintes preceitos: independência, autonomia, empoderamento, autodeterminação, participação e igualdade de oportunidades, e por meio dessas discussões, foram criados dezenas de documentos que hoje estão em domínio público, podendo ser acessado por qualquer pessoa, em qualquer lugar, sendo então, um importante canal para o conhecimento acerca das pessoas com deficiência.

CUIDADO COM A FALTA DE REPRESENTATIVIDADE

Todo cuidado é pouco para não confundir o apoio à causa, com a retirada do protagonismo. O caso mais recente ocorreu em 2016, quando os atores Cleo Pires e Paulo Vilhena tiveram partes do seu corpo retirados em um ensaio para a revista Vogue. Muito criticados nas redes sociais, os atores afirmaram que nada mais era do que apoio às Paralimpiadas de 2016 que ocorreram no Rio 2016. Porém o maior questionamento, se refere não a falta de sensibilidade, mas representatividade da pessoa com deficiência sobre a própria causa.

cleo

Enquanto isso, a Revista britânica Sport Magazine chamou atenção para as Paralimpiadas do Rio 2016 prezando pela representatividade, da qual a Revista Vogue Brasil resolveu não se atentar, ou pior, pode ter realizado de maneira proposital, com aquela ideia de que “os fins justificam os meios”.

Jordanne-Whiley

A revista Vogue resolveu ignorar várias recomendações relativa à pessoa com deficiências, muitas delas descritas no Mini-manual de Jornalismo Humanizado , onde a autora recomenda o cuidado com o uso de termos e expressões, além do cuidado de explorar a pessoa com deficiência, ou ainda imputar, em um editor de imagens a falta de determinado parte do corpo de pessoas que não possuem à referida deficiência, só com o intuito de chamar atenção.

É HORA DE TODOS PARTICIPAREM

As possibilidades das pessoas apoiarem à causa da pessoa com deficiência são infinitas, especialmente com advento da internet. Vale mostrar prédios que não cumprem as normas estabelecidas pela ABNT, observar as redes sociais como um espaço democrático,  sendo assim, existe a possibilidade de vários deficientes acessa-las, então facilitar o linguajar e conteúdo produzido também contribui para causa, tal como a não retirada do protagonismo, no momento em que for necessário e conviver sempre, respeitando às diferenças.

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