Pra onde vai o seu iPhone?

Mal conseguimos comprar o desejado celular modelo 6, já aparece uma ordinária letrinha “S” na história. E ela vem como um sinal do maior aprimoramento de todos os tempos, cujo resultado é: o modelo 6S.  Aí agora a batalha é juntar recursos pra conseguir ter esse 6S na mão porque parece que o 6, que até então nos atendia muito bem, ficou assim, sei lá, meio… velho!

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Essa história do novo ficar velho rapidinho não é de hoje. Na verdade é de hooooooje. O nome deste evento é obsolescência programada e foi criado pelo norte-americano Bernard London, um investidor imobiliário, que sugeria a obrigatoriedade de uma vida útil mais reduzida para os produtos, como forma de impulsionar a economia, que passava pela crise de 1929. (Se quiser saber mais sobre obsolescência programada e seu impacto no consumo, clique aqui.) Você conhece alguém que se desfez de um celular com poucos meses de uso ou já soube de uma impressora nova que durou apenas um ano e logo apresentou algum defeito? Pois é. Parece que antigamente as coisas duravam mais, né?

De certa forma compreendemos que na sociedade da informação em que vivemos hoje, as várias mídias existentes se co-relacionam por meio dos vários suportes (a possibilidade de assistir a televisão na internet, ouvir a rádio na TV por assinatura, e assim por diante). Isso provocou intensas mudanças que confluem para caracterizar a chamada “Cultura da Convergência”, como afirma Jenkins na introdução do seu livro “Cultura da Convergência” (clique aqui). Se ontem, no orkut, era possível publicar somente 12 fotos no perfil, hoje é possível publicar uma quantidade quase infinita no Facebbok. E com isso, nossos celulares precisam se atualizar, sendo mais robustos e potentes. Não é verdade?

Ao invés de somente ligar, mandar a mensagem e ter o joguinho da cobrinha, os smartphones hoje são ligados a internet, têm GPS, câmera digital, agenda, rádio, calculadora, acessam sua conta no banco… E poderão fazer mais coisas no futuro, com a chegada do Iphone 8, 9, 10 e quem sabe, daqui a alguns anos o iPhone 997764734765472374….

Então é claro, como não ter um dispositivo moderno e atual se vivemos numa era de liberação do pólo de emissão da informação e todos podemos emitir conteúdo de forma livre, variada e com alcance planetário? Na comunicação pós-massiva, conceito explicado por André Lemos, produzir, fazer circular e acessar cada vez mais informação é algo corriqueiro e banal para nós.

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Pois bem. Todos querem acesso e conexão. Todos podem produzir conteúdo e, para isso, todos precisam de dispositivos top que, infelizmente, rapidamente se tornam ultrapassados. Jenkins, ao discorrer sobre cultura da convergência também explica que essas mídias não irão sumir ao longo dos anos e sim se adaptar. Mas… o que fazemos com os aparelhos eletrônicos que tinham objetivos diversos e que agora são, simplesmente, substituídos?

Na sociedade da obsolescência planejada tudo vira lixo, pois quanto mais rápida e passageira for a vida útil dos produtos, maior o descarte. O sentimento de que é necessário ter um novo aparelho produzido. E isso o sociólogo Zigmunt Bauman chama de “economia do engano”, O consumidor é convencido de que precisa de algo supérfluo e a desprezar o que já tem. A tensão entre a insatisfação e o desejo frustrado é constante.

Por exemplo, blog bastante interessante sobre séries, fez um artigo sobre como esse formato midiático se atualizou nos últimos 50 anos (IS2Series), e como nós consumidores nos adaptamos. E se na década de 1990, usávamos o VHS e fita cassete, hoje, estamos mais próximos da era do streaming, onde só é necessário uma televisão/computador/smartphone com conexão online.

Ai eu pergunto pra vocês? Onde foram parar os milhões de aparelhos de VHS e fitas cassetes produzidas ao longo de 50 anos? Com certeza, muitas das respostas irão versar sobre: “joguei no lixo”, “dei para amigos e parentes”, “vendi pro sebo”. E talvez alguns de vocês digam: “guardei, daqui a alguns anos será vintage” (mesmo assim é impossível guardar tudo), “só o que me traz uma memória afetiva está guardado”. Ou seja, mesmo que parte desses aparelhos estejam guardados, a maioria deles sucumbiu ao lixo eletrônico.

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E aí, chegamos a seguinte questão: o destino que o lixo eletrônico, ou e-lixo, tem. A lei federal 12.305, que trata do destino dos resíduos sólidos, diz que os fabricantes são responsáveis solidariamente por dar um final correto aos equipamentos eletrônicos. Eles deveriam recolher os dispositivos e destino-los à reciclagem ou aproveitamento de parte dos componentes. Isso depende também do comportamento do consumidor, que precisa solicitar o recolhimento pelo fabricante ou fazer a doação ou entrega em locais apropriados para reaproveitamento ou descarte. Portanto, a responsabilidade com o lixo eletrônico é dos fabricantes, comerciantes e consumidores.

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Mas não é incomum que os aparelhos eletrônicos sejam esquecidos na gaveta ou descartados junto com lixo doméstico comum, sem qualquer preocupação com o ambiente. E sem perspectiva de aproveitamento financeiro, pois os equipamentos podem ser inclusive vendidos como de “segunda-mão”. O comércio de e-lixo rende dinheiro para quem investe na recuperação, reutilização ou, reaproveitamento dos componentes.

Mas mesmo que o lixo eletrônico tenha um descarte adequado, ainda é preocupante a quantidade que é produzida. No ano de 2014 cerca de 41 milhões de toneladas métricas de e-lixo foram produzidos no mundo todo. Não tem como reciclar ou revender tudo isso, não é? Por isso, países como os Estados Unidos “exportam” todo o lixo excedente para países africanos ou asiáticos. Lá os equipamentos acabam em imensas montanhas de resíduos, oferecendo risco à população catadora de lixo, pois é potencial a contaminação por mercúrio e chumbo. A exportação acontece porque é mais barato levar tudo que é descartado para esses países do que reciclá-los em seu próprio país. No Brasil o destino mais comum são os lixões e aterros sanitários.

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A questão do e-lixo preocupa bastante os grupos ativistas ambientais. A Basel Action Network (BAN), por exemplo, é uma organização não-governamental (ONG) americana  fundada em 1997, que se aplica a esta área. O nome da ONG -Basiléia- faz referência á Convenção de Basiléia, da ONU (1989) que restringe o comércio de resíduos perigosos entre países desenvolvidos e países menos desenvolvidos.  A BAN atua em dois fluxos, cobertos pela Convenção de Basiléia: e-lixo, tipo de resíduo cuja quantidade de produção mais cresce no mundo e navios velhos, que não são mais navegáveis. O objetivo principal da BAN é evitar o despejo de poluição nos países mais pobres do mundo. Para isso, acreditam que a reciclagem deve ser verdadeira e socialmente responsável e assim, seria uma saída eficaz para este problema.

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No Brasil, a Associação Ativista Ecológica (AAECO) com sede em Bento Gonçalves – RS, nasceu com o objetivo de implantar um ponto de coleta de lixo eletrônico na cidade.  A associação recebe os resíduos e destina à reciclagem especializada. A  AAECO é uma referência sobre o tema na região e também recebe denúncias de crimes ambientais relacionados a esse tipo de resíduo.

Aqui no Pará, existe a possibilidade de fazer o descarte de dispositivos eletrônicos domésticos de maneira adequada. A Descarte Já é uma cooperativa que recebe gratuitamente lixo eletrônico e sucata de informática. A coleta pode ser agendada e a empresa atende os municípios de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Isabel, Santa Bárbara e Castanhal.

A ONG No Olhar é outra organização que trabalha com e-lixo em Belém. A coleta é feita há pouco tempo e a ONG ainda busca parceiros para aumentar a capacidade de trabalho. O material doméstico é aceito em pequenas quantidade e empresas precisam agendar previamente a entrega de produtos para avaliação.

A cooperativa Concaves (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis) coleta e separa diversos materiais recicláveis e o lixo eletrônico também está na lista deles. A Concaves realiza também um programa de educação nos bairros do Guamá e Terra Firme, a fim de aumentar a consciência ambiental dos moradores.

Se você quiser ser um consumidor mais afinado com a questão ambiental, veja essas dicas aqui para ser um usuário “verde” de tecnologia. E aproveite para pensar um pouco mais sobre os efeitos de nosso consumo desvairado. “Mais laços humanos, menos bens de consumo.”

Nossa proposta não é que você se torne um museu com produtos século I. Afinal de contas, até os museus já se adaptaram as novas tecnologias dos dias de hoje. A ideia é que sejamos mais afinados e conscientes na relação produto X consumo provocado pela cultura da convergência. É interessante avaliar antes de realizar as trocas de nossos dispositivos; se realmente vale a pena trocar o Iphone 6 pelo Iphone 7 só porque a câmera passou de “8.0 megapiexel” para “8.01 megapiexel”.

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Referências Bibliográficas

BAUMAN, Z. Vida para consumo. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

JENKINS, H. Cultura da Convergência. Aleph: RJ, 2009 (Introdução – p.25-51)

LEMOS, A. Territórios recombinantes: arte e tecnologia – debates e laboratórios, São Paulo, Instituto Sérgio Motta, 2007, p. 35-48.

 

 

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Influência digital através da arte, ou Como eu aprendi a parar de me preocupar e amar ser manipulado

É um costume haver uma linha tênue entre ficção e realidade, separando-as de forma difusa como areia e água do mar, mas quando jogamos essa questão para o âmbito do ciberativismo e manifestações culturais, é necessário fazer o questionamento sobre o poder de influência de um sobre o outro: Até onde as duas linhas de visão se misturam? Qual o tamanho da influência da forma que o ciberativismo é retratado na arte para os movimentos reais e como os mesmos influem no compartilhamento de tudo ligado ao movimento artístico?

Mas primeiro vem aquela pergunta de sempre, como definir a arte? Já está indo pesquisar no Google? Então como diria o grande filósofo moderno, João Kléber, PARAÊ! Deixa que a gente explica.

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A verdade que definir a arte sempre foi uma complicação, mas uma das primeiras definições provém de Clive Bell (1914), que analisa que uma obra de arte deve causar uma emoção estética, ou seja, o essencial e qualidade comum de a toda obra de arte é produzir uma emoção. Ideia totalmente diferente da promovida por Morris Weitz em seu trabalho, “O Papel da Teoria na Estética” (1956), onde em linhas gerais explica que não há propriedade ou um conjunto comum em objetos artísticos, como pinturas, música, filmes, obras de arquitetura, etc., portanto um dos maiores erros é tentar conceituar de forma fechada o que seria arte, é perceber que ela por si só é um conceito aberto.

Uma vez com essas duas óticas em vista, qual seria atualmente a forma artística mais vista e compartilhada pelos usuários de internet no Brasil? Bora lá, eu sei que vocês conseguem acertar, apesar de não ser tão óbvio assim. Prontos? Vamos contar até três. Um. Dois. Três. Memes. Sim, memes, aquelas tirinhas ou imagens cômicas que povoam grupos de whattsapp e sua timeline no facebook.

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E acredite, existe até um museu para os memes. Apesar de não possuir um espaço físico onde você possa admirar memes sobre o golpista presidente Michel Temer com seu ficante, o projeto acadêmico da Universidade Federal Fluminense cataloga em um amplo acervo todos aqueles memes que você já viu ou não e conta com até mesmo com gráficos com curva de popularidade de cada um acompanhado de uma lista de aplicações e exemplos, curiosidades e menções dos mesmos por órgãos públicos.

A existência de um espaço como esse já era citado por Diana Domingues (1997), onde em seu trabalho, “A arte no século XXI: A humanização das tecnologias”, é explicado que o artista não precisa mais de locais destinados a exposição da arte como galerias e museus, uma vez que há suportes oferecidos pelo ciberespaço e pelas novas tecnologias de comunicação, que ampliam a difusão e a visibilidade da arte.

Dado a grande popularidade e viralidade dos memes, alguém já parou para pensar em como eles podem ser utilizados para indução de pensamentos e condutas por parte de seus leitores?

Há quem defenda que a página de facebook “Corrupção Brasileira Memes” e seus memes de teor político tenham a finalidade de induzir vertentes políticas de seu criador e teria sido uma das várias maneiras utilizadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL) durante o processo de inflamar a população reivindicando o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

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Esse modelo de interação é explicado pelos pesquisadores Deiga de Brito e Cláudio Rocha, que dizem que o grande público pode se envolver na produção, pondo em xeque a autoria, tornando a obra em algo aberto, inferindo que as intervenções do espectador também sejam partícipes do processo contínuo de transformação da obra, emergindo no modelo de comunicação todos-todos.

Em um âmbito mais internacional e sob outra forma influência podemos ver o caso do grupo de ciberativismo Anonymous, que desde que ganharam maior visibilidade midiática, a mesma tem sido amplamente citada e comentada quando o assunto é ativismo digital, seja dentro de veículos televisivos ou impressos, dado sua grande influência no meio, e assim acaba não sendo nenhuma surpresa a existência de um documentário sobre os mesmos.

Intitulado, “We Are Legion: The Story of the Hacktivists” (No Brasil: Nós somos uma legião: a História dos Hackers ativistas, o documentário aborda a origem do grupo, desde o site 4chan, até as maiores “operações” já realizadas pelos mesmos, desde questões de censura online e controle da web, ataques cibernéticos a governos estrangeiros durante o movimento da Primavera Árabe e o fornecimento de suporte técnico para o movimento “Occupy”. Através do documentário e matérias é possível ver que o movimento se enxergam como ativistas e protetores da liberdade de expressão, e tendem a se levantar com maior força quando percebem uma ameaça à liberdade da internet ou à privacidade pessoal, e através dessas veiculações que se criou uma imagem do grupo para os receptores.

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Da mesma maneira essa construção de imagem a partir da arte foi realizada com os ativistas Jullian Assange e Edward Snowden, que foram personagens principais de documentários e adaptações cinematográficas hollywoodianas, respectivamente “The Fifth State” (O Quinto Poder) e Snowden.

É através dessa veiculação artística, que sempre foi poderosa para a construção de imagem, que temos captado e modelado nossas concepções acerca do ciberativismo e sua importância na luta contra questões que se tornam cada vez mais relevantes nos nossos âmbitos sociais.

No Texto, “A Visibilidade e a Difusão da Arte por Meio das Redes Sociais – Estudo de Caso da Fan Page Eu Me Chamo Antônio”, os autores dissertam sobre como artistas anônimos conquistam reconhecimento e reputação simbólica nos sites de redes sociais.

Dentro desse quadro, vemos situações interessantes de filmes feitos com colaboração monetária coletiva (Crowdfunding), inclusive filmes feitos por pessoas dentro de ativismo cibercultural a cerca de ativismo cibercultural, como “Hackitat”. Em um cenário inimaginável de décadas passadas, o próprio espectador passou a ganhar voz dentro de uma produção cinematográfica, seja ela pequena devido uma colaboração monetária menor, ou maior e mais envolvida com a produção, ainda sim uma interatividade que não é proporcionada pelas produções provenientes de grandes estúdios da meca do cinema internacional.

Tanto a arte, quanto seu poder de influência continuará se expandido ao longo do tempo, mas agora vemos um cenário onde suas mensagens são feitas e compartilhadas por uma massa maior, com vertentes ativistas e políticas de forma a direcionar outras pessoas a seguirem seus respectivos pensamentos e somente o tempo nos dirá até que nível elas conseguiram atingir com isso.

 

REFERÊNCIAS:

http://seer.ucg.br/index.php/panorama/article/viewFile/3449/2020

http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/15422/1/almeida_definicao_arte_artigo.pdf

http://criticanarede.com/est_lake.html

http://super.abril.com.br/ideias/inaugurado-o-primeiro-museu-de-memes-do-brasil/

A acessibilidade sob os olhos ativistas

A internet é para todos. mas será que ela é acessível a todos mesmo? Ou existe a necessidade de algum tipo de normalização para que ela cumpra o seu papel de integrar socialmente, as pessoas que possuem algum tipo de deficiência?

Vamos fazer alguns testes bem simples:

Teste 1

Preencha o formulário abaixo com os olhos vendados.

Teste 2

Assista o episódio 1, da Websérie “A Solteirona”, com o som desligado, e coloque a legenda em português (para fazer isso, ative primeiramente a legenda, depois entre nas configurações e coloque na língua portuguesa)

Então, o que você sentiu? a sua experiência foi completa, ou prejudicada?

Esses são apenas dois problemas que parte de 46 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência precisam enfrentar todos os dias, pois a sociedade, por aqui, ainda não caminhou o suficiente para se adequar as mais de 200 milhões de pessoas que vivem nesse país.

Porém muita coisa já mudou, antes e depois da Internet.

No Texto, “A Trajetória da Inclusão” presente no livro “Acessibilidade e Tecnologia”, os autores dissertam sobre a evolução da inclusão de pessoas com deficiência, que antes eram relegadas, consideradas inúteis. Entretanto, aos poucos esse quadro foi mudando, na época do Renascimento, inciam-se os primeiros tratamentos terapêuticos frente a deficiência.

Já no Brasil, os primeiros cuidados às pessoas com deficiência retomam à época do Império, porém houve um grande fracasso social para compreender essa condição de maneira institucionalizada, então na segunda metade do século XX foi necessário a criação de leis que integrassem essas pessoas, socialmente, de “maneira normal”.

Nos primeiros anos do século XXI houve uma evolução sobre essa questão, na medida a compreender que essa questão deve transcender o discurso moral e sim de respeito às diferenças, assim como devemos respeitar os negros, religiosos, homoafetividade, na medida que as politicas a serem criadas agora devem perpassar por esse viés.

 UMA MINORIA DE DIREITOS

Assim como negros, gays, mulheres, entre outros. Os deficientes são a minorias no que diz respeito à direitos, sofrem preconceitos e são marginalizados pela sua condição, sendo necessário uma mudança social para que eles possam serem inseridos socialmente.

Por exemplo, no vídeo acima, existem dificuldades de um surdo acompanhar toda a história mostrada, assim como, para um cego que não pague por um computador caro adaptado que terá dificuldades de acesso. Porém, algumas mudanças podem ser feitas, como no vídeo abaixo que é apresentada uma receita, onde um surdo pode acompanhar tanto pela legenda, como na língua de sinais.

 

Nesse processo os movimentos sociais também são extremamente relevantes, a exemplo do Movimento Vida Independente, que foi criado na década de 1980, e desde aquele período defende os seguintes preceitos: independência, autonomia, empoderamento, autodeterminação, participação e igualdade de oportunidades, e por meio dessas discussões, foram criados dezenas de documentos que hoje estão em domínio público, podendo ser acessado por qualquer pessoa, em qualquer lugar, sendo então, um importante canal para o conhecimento acerca das pessoas com deficiência.

CUIDADO COM A FALTA DE REPRESENTATIVIDADE

Todo cuidado é pouco para não confundir o apoio à causa, com a retirada do protagonismo. O caso mais recente ocorreu em 2016, quando os atores Cleo Pires e Paulo Vilhena tiveram partes do seu corpo retirados em um ensaio para a revista Vogue. Muito criticados nas redes sociais, os atores afirmaram que nada mais era do que apoio às Paralimpiadas de 2016 que ocorreram no Rio 2016. Porém o maior questionamento, se refere não a falta de sensibilidade, mas representatividade da pessoa com deficiência sobre a própria causa.

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Enquanto isso, a Revista britânica Sport Magazine chamou atenção para as Paralimpiadas do Rio 2016 prezando pela representatividade, da qual a Revista Vogue Brasil resolveu não se atentar, ou pior, pode ter realizado de maneira proposital, com aquela ideia de que “os fins justificam os meios”.

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A revista Vogue resolveu ignorar várias recomendações relativa à pessoa com deficiências, muitas delas descritas no Mini-manual de Jornalismo Humanizado , onde a autora recomenda o cuidado com o uso de termos e expressões, além do cuidado de explorar a pessoa com deficiência, ou ainda imputar, em um editor de imagens a falta de determinado parte do corpo de pessoas que não possuem à referida deficiência, só com o intuito de chamar atenção.

É HORA DE TODOS PARTICIPAREM

As possibilidades das pessoas apoiarem à causa da pessoa com deficiência são infinitas, especialmente com advento da internet. Vale mostrar prédios que não cumprem as normas estabelecidas pela ABNT, observar as redes sociais como um espaço democrático,  sendo assim, existe a possibilidade de vários deficientes acessa-las, então facilitar o linguajar e conteúdo produzido também contribui para causa, tal como a não retirada do protagonismo, no momento em que for necessário e conviver sempre, respeitando às diferenças.

Tá todo mundo de olho: vigilância e privacidade na rede

O nome Snowden faz tremer os sistemas oficiais de vigilância. Se nada veio a sua mente ao ouvir essa palavra, vale relembrar que estamos falando de Edward Snowden, ex-espião americano que, em 2013, fez o maior vazamento de informações detalhadas do sistema de vigilância global americana. As revelações de Snowden causaram o maior auê; ele revelou que a vigilância dos Estados Unidos violava a privacidade de cidadãos comuns e também, o que causou furor, de líderes e personalidades estrangeiras.

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Edward Snowden – Por Laura Poitras / Praxis Films

Snowden precisou fugir dos Estados Unidos, ganhou asilo político da Rússia e vive em Moscou desde então. Ganhou fama e admiradores de sua coragem. Foi até indicado ao Premio Nobel da Paz em 2013 e 2015.

O que Snowden mostrou ao mundo é que não são só os suspeitos de ligações terroristas ou que esteja envolvido em qualquer outra atividade que seja potencialmente perigosa que são monitorados. Todos nós podemos ser. Como eles fazem isso?

Aqui cabe bem o conceito de Vigilância Distribuída, explicado pela pesquisadora Fernanda Bruno. Se formos resumir esse conceito, poderíamos dizer que essa vigilância:

1- está incorporada em todos os dispositivos tecnológicos, serviços e ambientes que usamos todos os dias.

2-  não diferencia vigilantes e vigiados; estão todos no mesmo balaio.

3- pode acontecer por acaso, como consequências do uso de alguma tecnologia.

4- inclui agente humanos, não-humanos, instituições e indivíduos.

5- associa-se ao conceito do exercício da cidadania.

Deu pra perceber que esse resuminho descreve exatamente a época em que vivemos agora?

Nesse contexto começa uma discussão entre grupos ativistas que têm posições diferentes sobre essa questão. O monitoramento em massa é desejável? Qual o limite? Por exemplo, fazer o monitoramento em massa de publicações de usuários de redes sociais, para evitar crimes ódio é ok? Tá tudo bem?

Para discutir vigilância e invasão de privacidade achamos interessante trazer três postulados que Mireille Rosello, professora da Universidade de Amsterdã traz sobre o tema. O primeiro postulado diz que há razões para ter medo. O segundo diz q1233398_10151557056322703_512205800_n_0.featureue o cidadão está preso entre dois medos: o de quem vigia e o de quem é vigiado. O terceiro diz que o sentimento de insegurança é desejado. Considerando os postulados, é como se o indivíduo estivesse num embate: quer defender sua privacidade, mas anseia por segurança e controle do que lhe parece ameaçador. É o que André Lemos chama de sujeito inseguro.

Para alguns ativistas da área de tecnologia, monitorar o que foi “jogado”na rede, com a intenção de ser visto, não viola a privacidade ninguém. O usuário tomou a decisão de tornar aquela informação pública para todos. Parece algo bem lógico, não? Esse é o argumento de Fabio Malini,  de tecnologia que trabalho com o governo brasileiro para criar um software que faz essa vigilância nas redes para prevenção de racismo, xenofobia, homofobia, etc. Ele é pesquisador da Universidade Federal do Espirito Santo e tem um site bem legal que fala de todas as viagens que acontecem nas redes sociais.

Mas outros argumentos são levantados por outros ativistas digitais. Os grupos Transparência Hacker e Oficina Antivigilância defendem que nem tudo que está na rede deve ser vigiado. Para eles, nem todos os usuários têm consciência de que o ele publica é realmente público. Toda vigilância deveria ser feita sob mandado judicial e com objetivos bastante claros. O temor é que para defender os direitos humanos justifique-se o uso da vigilância como necessária.

A interação entre o direito à privacidade e a manutenção de outros direitos é complexa. E permanece um questionamento: qual é o limite?

Abaixo dicas rápidas e muito fáceis para tentar proteger pelo menos um pouquinho de sua privacidade nas redes sociais:

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DA INTERNET PARA AS RUAS: AS MUDANÇAS SOCIAIS AVANÇAM

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Ilustração da Revolta da Cabanagem

Imaginem o quanto foi difícil à inconfidência Mineira, revolução Farroupilha, revolta da Chibata e a Cabanagem sem as tecnologias de informação que existem hoje.  Ou então a passeata de 1968, Diretas Já e os Caras Pintados de 1992. Bem complicado, não é verdade? Mesmo assim, elas aconteceram e apesar de não terem atingido seu principal objetivo, foram importantes inseridos em seus contextos históricos e culturais.

E nos dias de hoje, com o advento da internet, será que os movimentos sociais são capazes de levar às pessoas as ruas, como no passado, em busca de seus direitos, ou ainda construindo discussões no âmbito da esfera pública necessária para uma nova configuração social? Alias, será que se fazem necessários protestos que “atrapalhem” as vias públicas em prol de determinadas pautas? Os protestos de 2013 provaram que sim.

Hoje, vivemos em uma nova configuração cultural, a cibercultura, no qual a nossa sociedade está cheia de aparatos tecnológicos e por meio deles desenvolvemos boa parte das nossas relações sociais. Isso permitiu que mais pessoas tivessem acesso à informação, e maior que isso, mais pessoas pudessem ter voz ativa perante o todo contexto sócio político que vivemos.

E os protestos de 2013 foram um levante dessa nova configuração. Pois, ele surgiu dessas redes telemáticas, foi para as ruas, durante as suas atividades, as pessoas puderam mostrar praticamente ao vivo (hoje, já é possível ser ao vivo, por meio das live´s das várias redes sociais) o que acontecia, frente ao embate do que os grandes veículos de comunicação divulgavam. E após os protestos pode-se dizer que houve impactos significativos em nossa socieade, tendo em vista as discussões que pautaram e estão presentes até os dias de hoje nas redes sociais.

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Aparatos tecnológicos mostram o que está presente nas manifestações na visão dos presentes. FOTO: Chagas Neto

Isso foi possível, pois a sociedade no qual estamos hoje, em que a técnica evoluiu bastante, o receptor teve a oportunidade de responder frente aos acontecimentos, postou nas redes sociais a sua opinião, viu que existiam outras pessoas que possuíam vieses semelhantes aos seus e teve a chance de se manifestar, vistas as suas insatisfações, gerando uma inteligência coletiva.

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